quinta-feira, 20 de março de 2014

LÁZARO, MARTA E MARIA - TRÊS NÍVEIS DE RELACIONAMENTO



“Então Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo”.

(Jo 12.3)

 

João no capitulo 12 do seu evangelho relata que após a ressurreição de Lázaro, este e suas irmãs Marta e Maria receberam Jesus para cear com eles; provavelmente um gesto de gratidão pelo milagre que Ele realizou.

 

Os três O conheciam e eram seus amigos, entretanto, cada um possuía uma maneira bem peculiar de se relacionar com O Senhor. Marta, Maria e Lázaro representam os três níveis de comunhão que as pessoas podem ter com Cristo.

 

O texto relata que Lázaro estava simplesmente à mesa com Jesus. Desfrutava comodamente da Sua companhia, de Suas bênçãos, da paz, do conforto e alegria que Ele transmitia. Lázaro era, portanto, um consumidor. E são muitos os cristãos que se encontram nessa mesma posição. Almejam o que O Senhor pode dar; querem Suas bênçãos, seu milagres, mas, não se interessam por crescer na fé.

 

Marta, por sua vez, era uma mulher ativa, sempre envolvida nos afazeres para agradar o Amigo. O fato, porém, de Maria não ajudá-la e estar sentada aos pés do Mestre para ouví-Lo a incomodava ao ponto de reclamar com Jesus. Ele, entretanto, chamou-lhe a atenção para que ela não se esquecesse do mais importante: buscar intimidade com o Pai e ouvir a Sua Palavra.

 

Maria, por sua vez, não deixava que nada a impedisse de usufruir da comunhão com Cristo para ouvir os Seus ensinamentos. E recebeu do Senhor Jesus a confirmação de que ela escolheu a melhor parte. Ela também não permaneceu apática. As Palavras que ouvia falaram fortes em seu coração. O ato de ungir os pés de Jesus foi um lindo gesto de amor e devoção, pois o perfume que ofereceu era a coisa mais cara e valiosa que possuía. Sua fé e seu amor profundo ao Senhor nos dão o melhor exemplo do que Deus deseja de nós crentes em Cristo: receber a maravilhosa dádiva da Palavra de Jesus e oferecer-Lhe o melhor que temos. Deus espera que aprendamos que a fé cristã consiste primeiramente em servir a Cristo; que o amor e o afeto são os aspectos mais valiosos do nosso relacionamento com Ele. E foi exatamente por isso que Jesus declarou que aquele gesto de amor seria mencionado onde quer que o Evangelho fosse pregado. (Mt 26.13)

 

 


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

FÉ NO SOFRIMENTO



 

“... o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma”.

 (Jó 1: 21-22)

Certamente todos que leram a Bíblia conhecem a história de Jó, um homem rico e justo, que num único dia perdeu todas as suas posses, seus filhos e sua saude. Esse homem fiel e reto não conseguia entender o “por que” Deus estava permitindo todo aquele sofrimento, e esta foi talvez a sua maior provação!

 

Por que Deus permite que seus filhos sofram? Embora haja uma explicação, é bem provável que não venhamos conhecê-la aqui na terra e daí a necessidade de estarmos preparados para as dificuldades desta vida. Deus está muito além de nossa compreensão e por isso não temos capacidade de saber por que Ele permite que soframos. Não há um padrão ou critério maior que Deus, por meio do qual seja possível julgá-Lo. Deus é o próprio padrão! Nos resta apenas a opção de nos submeter à Sua autoridade e descansarmos no Seu cuidado.

 

Diante de todas as perdas e da morte Jó aceitou tudo das mãos do Senhor. Reconheceu que os caminhos de Deus são sempre os melhores e que quando nada mais lhe restava, ele tinha a Deus e isso bastava. Embora lutasse com a ideia de que O Senhor estava contra ele, tinha convicção de que O veria e que Este estaria ao seu lado! “... eu sei que o meu redentor vive.” (Jó 19:25)

 

Que lição maravilhosa! Jó exemplifica a perseverança paciente na adversidade. Do mesmo modo que sofreu inocentemente por causa de sua integridade e lealdade, todos os crentes em Jesus Cristo de certo modo sofrerão. E quando ficarmos tentados a reclamar com Deus, lembremo-nos do quanto nos ama e de como Ele é suficiente para nossa vida e nosso futuro. Que possamos aprender a dar-Lhe a chance de nos revelar o Seus propósitos, lembrando, porém, de que eles podem revelar-se ao longo de nossa vida, não no momento que esperamos. Que tudo que não pudermos entender não seja usado como desculpa para a nossa falta de confiança. Deus espera que nossa reação dê honra ao Seu nome.

“A humildade para admitir que a nossa fé não é suficiente para confiar n’Ele é o começo da verdadeira fé”.

 

sábado, 4 de janeiro de 2014

POR QUE DEUS?



“Todavia eu me alegrarei no Senhor: exultarei no Deus da minha salvação.”

 (Hc 3.18)

O livro de Habacuque é o relato da trajetória de um homem que vai da dúvida à adoração. Inconformado com a violência que vigorava entre o povo de Judá e a injustiça de seus líderes vive uma profunda crise espiritual. Não entendia a aparente tolerância do Senhor e pediu a Deus que corrigisse aquele povo violento e injusto. Mas, finalmente quando Deus lhe mostrou que levantaria a Babilônia para guerrear e conquistar Judá percebemos o profeta perplexo e desorientado. Jamais poderia imaginar medidas tão drásticas! E abertamente dialoga com Deus expondo os seus questionamentos: Por que um Deus Santo e Justo aceitaria que uma nação ainda mais perversa corrigisse o Seu povo? Por que tamanha injustiça com um povo relativamente mais justo? Por que um Deus misericordioso fomentaria no inimigo cruel o desejo de matar?

 

Conosco não é diferente. Em meio a um mundo violento e injusto, onde pessoas inocentes são vitimas das maiores crueldades, nos sentimos exatamente como Habacuque e nos voltamos para O Senhor com uma única pergunta: “por que, pois, olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1.13). Queremos justiça, queremos livramento divino para os inocentes e castigo para os malfeitores.

 

Todavia, esse homem de Deus tem uma atitude admirável: “Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu teria à minha queixa” (Hc 2.1). Ainda que não compreendesse os planos do Altíssimo, foi reverente, não criticou a decisão divina; relembrou o fato de quem era Deus – Deus Santo, Salvador, Sustentador do Seu povo, Soberano, que tem tudo sobre o Seu controle - e esperou simplesmente. Ensina-nos que até podemos questionar, mas, não temos o direito de contrariar a sabedoria de Deus.

 

Nos momentos difíceis, quando somos lançados em sofrimento por um período de tempo, ou nos pareça que nossos inimigos estão prosperando enquanto nós, apenas sobrevivemos, precisamos tão somente nos aquietar e confiar que Deus está trabalhando. Ele continua no trono do universo. Nossa mente e nosso coração devem permanecer firmes na realidade de que O Senhor nos fará andar aos lugares mais altos com Ele, ainda que para isso, tenhamos que percorrer um caminho de sofrimento, tristeza e dor.

“O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como o da corsa, e me faz andar altaneiramente” ( Hb 3.19)

 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

INTERCESSÃO



“E porque reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a tranca que está no teu olho?” ( Mt 7.3).

Somos propensos a ver os erros de outras pessoas e querer convencê-las de que somos os donos da verdade. Esse também é o “Modus operandi” da política. Mesmo entre os cristãos, essa parece ser a atitude escolhida por muitos. Existe uma gama de pessoas dentro das igrejas sempre prontas a apontar e condenar as transgressões e os defeitos dos outros, verdadeiros juízes. Dezenas de intrigas e facções acontecem no seio da igreja, da família, de casais, devido à intransigência de alguém. A verdade do outro nunca tem espaço e vai se perdendo ao longo do caminho.

 

A busca por ter razão fundamenta-se no principio de que a falha está sempre no outro. Todavia, em Mateus 7, Jesus nos adverte contra o julgamento alheio, e para isso usa a ilustração do argueiro no olho do irmão e da trave no próprio olho.

 

Abraão foi um homem destituído de um espírito julgador. Ao saber que Sodoma e Gomorra estavam sob julgamento divino, intercedeu a Deus por graça e misericórdia alegando a possibilidade de que ali pudesse ter alguns justos.

 

Precisamos ter uma vida de oração, onde a intercessão tenha prioridade, caso contrário, estaremos tão somente, exercendo um espírito de autojustificação. É necessário estarmos vigilantes e nos colocarmos na brecha para não estarmos confrontando as pessoas com os seus erros, e dessa forma não venhamos abrir valas que provoquem mais destruição.

“Busquei entre eles um homem, que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ez 22.30)         

 

sábado, 7 de dezembro de 2013

O TEMPO DE DEUS

“Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de
noite, ainda que tardio para com eles?”(Lc 18.7)


O evangelho de Marcos relata que durante uma tempestade, Jesus percebeu o quanto seus discípulos estavam cansados. Interessante que era ainda a metade da noite quando Ele os observava. E como um pai amoroso Jesus esperou. Aguardou até a hora certa, até o momento certo. O Senhor esperou até entender que era a hora de chegar e finalmente chegou. Mas, afinal, o que fazia com que aquela hora fosse a certa? Sinceramente não sei. O que fazia a hora nona ser melhor que a quarta ou a quinta? Infelizmente não sei responder. Qual será o motivo pelo qual Deus espera até acabar o nosso último centavo? Por que Deus, O todo Poderoso, espera que uma doença se prolongue por anos e anos para responder às orações que pedem pela cura? Por qual razão O Senhor permite que os Seus servos passem pelas mais diversas privações? Eu não sei.

O que realmente sei, é que Deus é Senhor do tempo, age no tempo certo e num patamar muito mais elevado que o nosso. "Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is 55.8). O que posso afirmar é que Ele sempre fará o melhor e jamais deixará de exercer a Sua justiça àqueles que O buscam de todo coração. 

Creio também, que ainda que não ouçamos a Sua voz, Ele está falando. Que mesmo que não vejamos nada, Deus está agindo, e enquanto enfrentamos as nossas dores O Senhor vela por nós.


Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpetuo.
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. (Hb 7.24-25)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

AMAR E SERVIR



“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temas o Senhor, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a sua alma”


 (Dt 10.12)



O versículo acima traz consigo dois verbos de extrema grandeza: amar e servir. Não há possibilidade de servirmos a Deus se não O amarmos. Talvez por isso, repetidas vezes, O senhor ressaltou a necessidade de amá-Lo e honrá-Lo de todo o coração. É o amor que nos impulsiona a servi-Lo.  E só poderemos servir a Deus verdadeiramente se nos submetermos e obedecermos à Sua Palavra: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14.21). O alicerce da verdadeira obediência é o amor!

 

Um coração dependente e subordinado à autoridade de Jesus Cristo nos predispõe a fazer a Sua Vontade, e alguns questionamentos como: “O que vou fazer? o que me agrada realmente? o que me satisfaz verdadeiramente ou me da paz?”, não terão mais nenhuma relevância. O que nos importará realmente é permanecermos sob o Senhorio de Cristo, confiantes de que Ele sabe e escolhe o melhor para os Seus.

"Respondeu Jesus: se alguém me ama, guardará a minha palavra; e o meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14.23).